"O
sinal de rádio funciona bem e estamos em contato direto com o Philae",
declarou o presidente do CNES Agora os científicos sabem que a superfície do cometa é "totalmente acidentada"

Paris - O robô Philae, que pousou em um
cometa a mais de 510 milhões de quilômetros da Terra, enviou nesta quinta-feira
(13/11) três boas notícias sobre seu funcionamento, apesar de estar
aparentemente pousado em um declive, anunciou Philippe Gaudon, chefe do projeto
Rosetta do Centro Nacional de Estudos Espaciais de Toulouse (CNES).
"Philae funciona bem. Sua bateria funciona bem e fornece energia. Mas as
fotos que enviou parecem indicar que se encontra em um terreno inclinado",
acrescentou. "O Philae passou a noite sobre o
cometa e temos três boas notícias. A primeira é que está pousado sobre o núcleo
do cometa. A segunda é que recebe energia: seus painéis solares estão ligados e
permitem encarar o futuro. E a terceira é que estamos em contato permanente com
o Philae, já que o robô emite e envia informações à Rosetta e depois à sonda,
que está em órbita ao redor do cometa, as transmite à Terra", declarou,
por sua vez, Jean-Yves Le Gall, presidente do CNES, localizado no sul da
França. "O sinal de rádio funciona bem e estamos em contato direto com o
Philae", completou.
Ao ser questionado sobre a ancoragem do robô na superfície do cometa
67P/Churyumov-Gerasimenko e o funcionamento do sistema de ancoragem que possui
na parte inferior, Le Gall destacou que "o mais importante é que estamos
bem posicionados. Depois veremos o que faremos com os 'ganchos'. Estamos
fazendo uma checagem do Philae. Estamos em contato, isto é o mais importante".
"E, sobretudo, temos energia", insistiu Le Gall. "Tínhamos a
bateria que permitia o funcionamento de maneira autônoma por dezenas de horas,
mas agora os painéis solares funcionam", completou. "Isto permite
imaginar uma vida muito mais longa para o robô, além das 60 horas das
baterias". "Todos os sistemas funcionam bem", completou Le Gall.
Ao falar sobre o núcleo do cometa, "todas as teorias" diziam que era
uma "bola de neve suja, mais compacta". Agora os científicos sabem
que se trata de uma superfície "totalmente acidentada".
"Ali, onde esperávamos uma superfície branda, encontramos gelo duro",
completou Le Gall. A Europa fez história na quarta-feira ao conseguir pousar
seu primeiro robô em um cometa. O laboratório mecanizado, do tamanho de uma
geladeira e com cerca de 100 quilos de peso, tocou a superfície do cometa
67P/Churyumov-Gerasimenko em uma manobra de alto risco, a mais de 510 milhões
de quilômetros da Terra.
Vários instrumentos a bordo de Philae já enviaram à Terra vários dados e fotos
à Terra. Os engenheiros ainda precisam descobrir o que levou o robô a falhar no
lançamento do par de ganchos na superfície do cometa, desenvolvidos para evitar
que se afaste do corpo celeste, que tem baixíssima gravidade.
Apesar das incertezas, houve comemoração quando o Philae se separou de Rosetta,
como previsto, e se dirigiu para o "67P" depois de uma jornada de uma
década e 6,5 bilhões de quilômetros. Uma multidão de cientistas, convidados e
VIPs, inclusive dois astrônomos ucranianos que descobriram o cometa, em 1969,
comemoraram quando chegou à Terra o sinal, confirmando o contato com o cometa.
Aprovada em 1993 e com custo de 1,3 bilhão de euros (US$ 1,6 bilhão), a missão
Rosetta se lançou ao espaço em 2004, levando junto o módulo Philae, equipado
com 10 instrumentos. Sonda e robô alcançaram seu alvo em agosto deste ano,
usando o empuxo gravitacional da Terra e de Marte como verdadeiros estilingues
espaciais. Ao orbitar lentamente o "67P" desde agosto, Rosetta fez
algumas observações surpreendentes sobre o cometa.
Seu contorno lembra de alguma forma o de um patinho de borracha, mais escuro
que o carvão e com uma superfície retorcida e bombardeada por bilhões de anos
no espaço, o que fez dele um ponto difícil de pousar. A missão de Philae inclui
perfurar a superfície do cometa e analisar amostras de marcadores de isótopos
de água e moléculas complexas de carbono.
Segundo a teoria corrente, os cometas bombardearam a nascente Terra há 4,6
bilhões de anos, trazendo moléculas de carbono e a preciosa água, partes
importantes da caixa de ferramentas fundamental para a vida no nosso planeta.
Philae tem bateria suficiente para realizar cerca de 60 horas de trabalho, mas
pode continuar até março, com uma recarga solar. O que quer que aconteça com
sua carga, Rosetta continuará a acompanhar o cometa, analisando-o com 11
instrumentos quando orbitar o Sol no ano que vem. A missão está prevista para
terminar em dezembro de 2015.
Fonte: correioweb
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